História do município
A presença Indígena

Vista parcial do centro da cidade - 2009
Não se pode começar a falar da nossa história, referindo-se apenas à chegada do “homem branco”. A região de Manhumirim foi habitada primeiramente pelos Índios Botocudos. A pouco tempo, foram encontrados, por integrantes da ONG Força Verde de Manhumirim, dois sítios arqueológicos dos Botokudos (cultura indígena pré-colonial).
Os botocudos habitavam as regiões dos Vales dos rios Doce, Mucuri e Pardo, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Entretanto, a corrente pioneira que invadiu o baixo Rio Doce, a partir do final do século XIX, fixando propriedades agrícolas ao sul e ao norte do rio, fizeram desaparecer por miscigenação, morte ou mudança de região, os primeiros habitantes destas terras.
A chegada do homem branco à terra de Pirapetinga
(A ONG Força Verde e o Núcleo de Arqueologia da UFMG já estão fazendo levantamentos nos dois sítios arqueológicos recém encontrados em Manhumirim para apresentar uma descrição mais pormenorizada da presença indígena em nossas terras).
Segundo o grande historiador de Manhumirim, Pe. Demerval Alves Botelho, conta-se que já no século XVI, alguns aventureiros desbravadores passaram por esta região à procura de ouro e pedras preciosas, entretanto, ressalta que só há registros documentais da presença do homem branco, na segunda metade do século XIX. Sua chegada a estas terras se deu pela estrada que D. João VI, Rei de Portugal, mandou abrir logo que chegou ao Brasil (1808) , ligando, em linha reta, Vitória à Vila Rica de Ouro Preto. Por cortar regiões inóspidas e perigosas (ataques de animais selvagens e índios), foram construídos, em diversos pontos da estrada, “Quartéis” para descanso e o pernoite dos desbravadores, e para a troca das Montarias das Diligências que iam e vinham, trazendo e levando notícias, e suprimentos para os trabalhadores. No local da cidade de Manhumirim, ou nos arredores, foi erguido um desses Quartéis.
O primeiro núcleo desbravador de Pirapetinga (Primeiro nome de Manhumirim) foi iniciado por Manoel Francisco de Paula Cunha (Provavelmente em 1865). Após sua chegada, outros colonizadores foram chegando à região, e muitos destes de origem européia, incentivados pelas políticas de colonização do Governo Imperial.
Início do cultivo do café
Os novos colonizadores, afeitos à agricultura, e com disposição diferente dos “bandeirantes”, vinham para trabalhar, ficar, viver e morrer aqui. Iniciaram o cultivo do café na região. (Quem lançou as bases da cultura cafeeira em nossa região foi o memorável Cap. João Carlos Heringer). Assim, nossa terra tornou-se conhecida como terra boa para “plantar e criar”. O cultivo do café tornou-se alavanca de progresso e desenvolvimento da terra de Pirapetinga. Logo que as lavouras entraram numa boa fase de produção, despertou-se o interesse dos compradores e dos comerciantes. E onde se produz café, circula o dinheiro e o progresso aparece.
A formação do vilarejo “Senhor Bom Jesus do Pirapetinga”
Manoel Francisco de Paula Cunha era um homem de fé. Fez a doação de uma área para a construção de uma capela em honra do Senhor Bom Jesus, de quem ele e sua família eram muito devotos. Com essa doação, o lugar passou a ser chamado “Senhor Bom Jesus do Pirapetinga”, e as primeiras casas, formando a povoação, começaram a surgir. A assistência religiosa era dada por padres de Manhuaçu. Aos poucos, com a chegada de novas famílias, o povoado foi progredindo. Em 1877 foi criada a cidade vizinha Manhuaçu e Pirapetinga foi elevada a Distrito de Paz e em 1881, à categoria de freguesia. A cidade começou na atual Praça Getúlio Vargas. No bairro do Roque e do Isidoro apareceram também outras casas.
A chegada da estrada de Ferro “Leopoldina Railway” – alavanca do progresso
Em 1914, o progresso tomou novo impulso, com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro “Leopoldina Railway”. Sua influência deslocou o centro da vila para a tradicional “Praça da Estação”. Foi o primeiro passo para o Distrito de Paz emancipar-se e ter vida própria. Fato notável, é que, na fachada da sede da Estação, escreveu-se não BOM JESUS DO PIRAPETINGA, ou simplesmente PIRAPETINGA, mas MANHUMIRIM. Esta denominação foi oficializada apenas em 1923. Em 1915, o trem começa a correr no trecho até Manhumirim. A antiga Pirapetinga cresce a olhos vistos e se torna um importante centro comercial. Neste mesmo ano, é instalado um cinema por Pedro Pechara, um libanês. A energia elétrica chegou em 1917.
O despertar para a cultura
Como bem afirma Pe. Demerval, “O progresso material e o comércio ativo fizeram despertar o progresso intelectual”. Este anseio de cultura, foi, inicialmente, alcançado através do GINÁSIO EVANGÉLICO, no vilarejo vizinho de Alto Jequitibá. Depois, vários institutos de ensino foram surgindo na vila do Bom Jesus do Pirapetinga, com destaque para o EXTERNATO MINEIRO “ALFREDO BREDER”. Com os esforços políticos de Alfredo Lima, em 1928, foi instalada em Manhumirim a primeira escola pública estadual: o GRUPO ESCOLAR DR. ALFREDO LIMA.
Emancipação político-administrativa
Em 1923, pela Lei Estadual nº 843, com incontáveis esforços políticos de um grupo de emancipacionistas, foi criado o município de Manhumirim e suas instalação se fez no dia 16 de março de 1924. O recém município tinha três distritos: o da sede (antigo Pirapetinga), o de Dores do José Pedro (Durandé) e o de Presidente Soares (Alto Jequitibá). A primeira Câmara Municipal foi constituída por: Dr. Alfredo Soares Lima (Presidente), Agenor Carlos Werner (Vice), e Vereadores: Sebastião Teixeira Pinto, Manoel Barros de Almeida, Hermenegildo Vieira de Gouvêa, Manoel Nunes da Rosa e Júlio Dias Rabello. Com a emancipação, começou a dar sinal de progresso, o que atraía novos moradores. Assim, Manhumirim foi ficando com o visual de cidade nova e de bom padrão de vida.
A religiosidade
Como não se pode omitir, a história de Manhumirim foi alavancada pela agricultura, elevada pela cultura e guiada pela fé. Sua história está indissociavelmente ligada ao cultivo do café (agricultura) e à religiosidade. E, se no vilarejo de Alto Jequitibá destacava-se a presença dos Protestantes, em Manhumirim floresceu o Catolicismo. E neste contexto, 1917, nasce em Manhumirim um dos eventos religiosos mais tradicionais: o Jubileu do Bom Jesus, que se conserva até hoje no período de 7 a 14 de setembro. Em 1922, foi organizada a Igreja Presbiteriana de Manhumirim pelo Presbitério Espírito Santo-Minas. E o seu primeiro Pastor foi o Rvdo. Aníbal Nora. E em 1927 foi organizada oficialmente a Igreja Batista de Manhumirim.
A chegada do Pe. Júlio Maria
Seminário e Igreja Matriz - duas das obras do Padre Júlio Maria
Em 1928, Manhumirim tinha uma população de 35.000 habitantes e exportava aproximadamente 180.000 sacas de café. Este progresso tomou novo impulso com a chegada do Pe. Júlio Maria. Na verdade, Pe. Júlio Maria revolucionou o chão do Bom Jesus e sua gente, em todos os sentidos (religioso, educacional, social e da saúde). Este missionário das terras longínquas veio para Manhumirim disposto a atuar com amor e sacríficio, não só anunciando o Reino de Deus, mas também denunciando as injustiças, os desmandos e buscando respostas concretas às necessidades do povo. Em apenas dezesseis anos que viveu em Manhumirim, legou ao município, notadamente à cidade, o enorme e inestimável patrimônio de que se orgulha todo filho desta terra.
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Síntese histórica baseada nos livros:
BOTELHO, Demerval Alves. História de Manhumirim: município e paróquia. Volume I. Belo Horizonte: O Lutador, 1987.
BOTELHO, Demerval Alves. História de Manhumirim: município e paróquia. Volume II. Belo Horizonte: O Lutador, 1989.)
